domingo, 12 de outubro de 2014

PARABÉNS D. FAUSTA VENANCIO

A professora Lucena em visita Hoje dia 12 de outubro a nossa Educadora Maior comemora seus 99 anos de vida, garra, e alegrias. Nós que somos seus admiradores, não temos como retribuir seus relevantes trabalhos prestados a nossa comunidade. Nunca casou-se, mas manteve sempre uma relação estreita de prestação de trabalho a nossa gente. Hoje temos o raro prazer de encontrá-la ainda sorrindo!!! De coração, nossos parabéns. UM POUCO DA HISTÓRIA - (Recortado da internet) Ela teve que se mostrar forte desde seus primeiros anos de juventude. Natural de Santana do Cariri, lá logo perdeu o pai e depois a mãe. Sozinha, Fausta logo aprendeu a crueldade do mundo em que vive. Precisou encontrar uma profissão, escolheu seguir os passos da tia: professora. Aprendeu tudo o que podia com ela e um pouco mais com outros conhecidos da área, algum tempo depois já ensinava. Se perguntar com quantos anos começou a trabalhar.
Passou por Assaré, Altaneira e Taboquinha, zona rural de Altaneira. Numa sala de aula improvisada na sala de estar de sua casa, Fausta organizava os alunos em turmas por idade. “Ensinei pra tanto menino”, desabafa. Eram 10, 20 mil réis de pagamento por aluno. Muito pouco, Fausta concorda. Apesar de única, a economia e desigualdade do tempo não lhe permitia qualquer maior conforto que fosse. O contexto pedagógico da época dava a Fausta poucas alternativas de ensino: ou era dura e firme, ou não havia menino em sala de aula. A palmatória era instrumento de trabalho cotidiano. “Eu usava quando eles erravam”, declara segurando a peça fria e rígida. “Era assim naquele tempo”, finaliza. E quando perguntada se seguia modelos de outros professores e professoras, “Eu é cá, eles é lá. Só sei de eu cá” responde. Mas nem tudo era determinação da rigidez do tempo. Fausta tomava para seu método, usar poesia para incentivar o estudo das crianças a quem ensinava. Toda semana, em sala de aula, acontecia um recital. De certo que ainda soava um descompasso as poesias difíceis à leitura de crianças, mas a arte deu um tom à formação. Mas caso errasse o verso, castigo. Lá estava o temor da palmatória. Gentil como ela só, não parece nada com o mito que ronda a cidade de que Fausta, a professora, é bruta, dura e má. Conversamos por vezes a fio e de seus lábios envelhecidos saia o mais doce mel de bondade em suas palavras. Enrijeciam, porém, ao contar sobre o cansaço que todos aqueles anos de sala de aula, de menino trabalhoso e giz na lousa. Aos que hoje são nossos avós, devem sua formação educacional à Fausta – que detesta ser chamada de “Dona”. Apesar de estar claro em seu rosto, pelas mais rugas em sua face que estrelas no céu da noite, os pronomes que indicam idade são rejeitados por ela. Primeira professora a fincar vida em Altaneira, a dedicar-se à missão de compartilhar de seu conhecimento tanto de estudo, quanto de vida aos meninos e meninas daquela pequena cidade. Mas ela parou. Parou porque precisava respirar. Parou por que o cansaço era tanto. Parou porque já não tinha mais tanta força para ficar horas seguidas de horas em pé, explicando assuntos desde Matemática à Literatura. “Ensinei até me cansar, até dizer que não queria mais ensinar”, expõe com facilidade. Fausta transmite de si a certeza de que fez o que tinha de fazer e mais feliz por isso não poderia ficar. “Até hoje tem gente que vem e diz ‘Fausta eu queria que tu ensinasse meu filho’, mas eu não vou mais ensinar. Tô cansada, né não?”. Fausta se cansou de ensinar menino a ler o mundo, mas seu mito continua vivo na cidade. Eu lhe pergunto se se encontra mais como educadora ou como professora, ela simplesmente responde que não sabe o que foi. “Quem sabe é Deus”. E, em contrapartida, me pergunta se estou conversando com ela porque quero ser professora. Respondo com leve sorriso que não, que vou ensinar de outro jeito. Fausta carrega anos, tempo e meninos nas costas. Sua vida foi dedicada a educar crianças e jovens das cidades em que passou. Fausta carrega história e tradição nas costas, por isso anda tão vagarosa e curvada pela casa, pela antiga sala de aula. Cansada, mas feliz. Está estampado em seu rosto, como um estandarte à mão, a felicidade e orgulho que carrega de ter feito o que fez pela cidade. “Eu gostava muito de ensinar, não faria outra coisa que não isso”, declara. E brinca: “Mas gostava muito de dançar também, afinal, quem não gosta?”. (Com recortes do Blog de Altaneira, em 12/10/2014 10:47)