quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Professores: garantido reajuste de 19% no piso salarial nacional para 2014??

Professores de todo o País conquistaram uma grande vitória, ao fazer valer a lei do piso salarial nacional da categoria, que será reajustado em 19% em 2014. A afirmação é do deputado federal Chico Lopes (PCdoB), que destaca que, mesmo após lutar por décadas pela aprovação da lei do piso, os professores continuam mobilizados para que todos os estados e municípios cumpram a lei, em sua integralidade.
“É impressionante que, após tanto tempo de luta e passados cinco anos desde a aprovação da lei do piso, os professores ainda tenham de se mobilizar para cobrar aquilo que deveria ser natural: o cumprimento da lei”, ressalta Chico Lopes, se referindo aos estados e municípios que ainda não honram a lei do piso nacional dos professores – seja na garantia da remuneração (hoje no valor de R$ 1.567,00), seja no direito a um terço da carga horária para atividades extrassala, como planejamento e correção de provas. “O STF confirmou a validade da lei, recusando o questionamento que havia sido feito por cinco governadores, quanto à lei do piso. Mais recentemente, todos os governadores se uniram para questionar, junto ao Governo Federal, o reajuste de 19% previsto para o piso dos professores em 2014. Felizmente, mais uma vez, os professores saíram vitoriosos”, aponta Chico Lopes, professor e militante histórico da educação. “Os governadores pediram que fosse mudada a forma de cálculo do reajuste do piso, para que o reajuste de 19% não fosse respeitado, dando lugar a um reajuste bem menor, de menos de 10%”, reconstitui Lopes. “Denunciamos essa tentativa infeliz de desrespeitar a lei do piso. Felizmente, após a mobilização da sociedade, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, decidiu retirar da pauta o projeto que alterava o reajuste do piso dos professores. Assim, o reajuste de 19% está garantido para 2014. Uma vitória dos professores, da educação, da sociedade”, aponta Chico Lopes. ALTANEIRA - Diante de um grande debate entre secretaria de educação e professores mesmo assim o repasse de 8% dado pela presidente Dima no início do ano de 2013, não foi repassado a categoria, sob a alegação de o município gasta acima dos 60% do FUNDEB. Mesmo com as insistentes cobranças pelo sindicato e a pressão de alguns servidores, prefeito e secretário de educação se mostraram irredutíveis quanto ao repasse dos 8%. A categoria até agora não se mobilizou para buscar judicialmente esses repasse como muitos municípios estão fazendo. Menos mal se olharmos para 2014, e entender que não podemos pasar em branco novamente sem esse aumento de 19%, afinal estamos com salários congelados desde 2011. ()http://blogs.diariodonordeste.com.br

LANÇADA FERRAMENTA QUE PERMITE CONSULTA DE EXTRATO DO FGTS

O serviço EXTRATO pode ser acessado mediante informação do NIS (PIS/PASEP) e da Senha Internet, cadastrada por você que tem a senha Cidadão. Neste serviço é apresentado detalhamento dos seus dados cadastrais e os lançamentos realizados na sua conta vinculada nos últimos 2 meses.
A tela de Extrato do FGTS exibirá as contas vinculadas ao FGTS para o NIS(PIS/PASEP/NIT) informado, contendo os seguintes dados da conta: CONSULTAR EXTRATO DO FGTS Dados cadastrais do empregador; Dados cadastrais do empregado; Data da última atualização realizada no saldo; Saldo; Todos os lançamentos verificados na conta (débitos e créditos) relativos ao mês corrente mais os seis meses anteriores. No Manual de Orientações - Emissão de Extrato e Informações de Contas Vinculadas, disponível para você na área de download, você obtém orientações detalhadas sobre a forma e critérios para realizar esta consulta. https://sisgr.caixa.gov.br/portal/internet.do?segmento=CIDADAO&produto=FGTS ">FGTS

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Justiça suspende aumento do IPTU em São Paulo já Altaneira amarga mais de 100% de aumento

Mais de um mês após a impopular decisão ter sido tomada, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) suspendeu nesta quarta o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na capital paulista. Com a liminar , fica sem eficácia, até julgamento do mérito das ações, a Lei Municipal 15.889/13, sancionada no dia 6 de novembro pelo prefeito Fernando Haddad. As ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) foram apresentadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo PSDB. O aumento também foi questionado judicialmente pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo, e o Ministério Público chegou a conseguir suspender a aprovação do projeto votado em sessão extraordinária pela Câmara dos Vereadores. O projeto aprovado representa um aumento médio geral do IPTU de 14,1%, em 2014. Considerando apenas os imóveis residenciais, a média ficará em torno de 10,7%. A Fiesp diz que, pela proposta, o aumento pode chegar a 35% em alguns casos. Na avaliação da entidade, a elevação não é razoável e excede a capacidade de parte dos contribuintes. A prefeitura ainda não se manifestou sobre a decisão desta quarta. Vejamos a realidade em nossa cidade: Se bem que aqui em nossa cidade de Altaneira está acontecendo também aumento abusivo de IPTU. Pelou menos foi o que verifique quando recebi minha conta esse mes com vencimento dia 30/12. Paguei R$ 15,00 ano passado e agora a fatura chegou aos R$ 32,00 reais, aumento de mais de 100%, por uma residencia humilde e de pouco valor. É preciso que urgentemente a sociedade reveja esse aumento de IPTU e buscar soluçoes. http://www.sidneyrezende.com/noticia/221373+sp+justica+suspende+aumento+do+iptu

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O adeus a Mandela!!!

Quase 60 líderes mundiais se despedirão de Mandela na África do Sul Aproximadamente 60 chefes de Estado ou de governo já anunciaram que participarão do velório ou do funeral de Nelson Mandela, segundo autoridades da África do Sul. Os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, e François Hollande, da França, além do premiê britânico David Cameron disseram que estarão em uma cerimônia que deve ocorrer na terça-feira no Estádio Soccer City, de Soweto, em Johanesburgo. Notícias relacionadas Funeral de Mandela terá cortejo de três dias em Pretória Homenagens a Mandela causam constrangimento em Israel Especial: Nelson Mandela 1918-2013 Tópicos relacionados Internacional A presidente Dilma Rousseff também confirmou presença. O primeiro presidente negro da África do Sul morreu na última quinta-feira. Desde então milhares de pessoas estão visitando a casa onde Mandela morreu, um museu dedicado a ele além de instalações religiosas de todo o tipo. Na igreja católica Regina Mundi, um centro de luta histórico contra o apartheid, o padre Sebastian Roussouw afirmou que o líder foi "uma luz na escuridão".
"Madiba não duvidou da luz. Ele construiu o caminho para um futuro melhor, mas ele não pode fazer isso sozinho", afirmou no domingo referindo-se a Mandela pelo seu nome de clã. Uma das ex-mulheres de Mandela, Winnie Madikizela-Mandela, e o presidente Jacob Zuma compareceram a uma celebração na igreja metodista Bryanston, em Johanesburgo. Ele pediu aos sul-africanos que não se esqueçam dos valores pelos quais Mandela lutou. Na Cidade do Cabo, o arcebispo Thabo Makgoba disse que Mandela é uma lembrança poderosa de que os indivíduos têm o poder de mudar as coisas que acontecem no mundo. Nos próximos oito dias, uma série de eventos celebrarão a memória do homem que livrou o país da opressão de uma minoria branca. De Bono a Ban Ki-moon Líderes, figuras e celebridades internacionais se juntarão a 95 mil sul-africanos na em uma cerimônia memorial no estádio de Soweto na terça-feira. Foi lá que Mandela fez sua última aparição pública durante a Copa do Mundo de 2010. Esse evento deve ser uma das maiores reuniões dessa natureza de dignatários internacionais dos últimos anos. O governo afirmou que 59 líderes já confirmaram presença na cerimônia. Entre eles estão o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, o presidente alemão Joachim Gauck, o presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso, o rei holandês Willem-Alexander e o príncipe Felipe da Espanha.
Três ex-presidentes americanos acompanharão Obama: George W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter. Dilma Rousseff está sendo acompanhada pelos ex-presidentes brasileiros José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula. Também devem comparer os presidentes palestino Mahmoud Abbas e indiano Pranab Mukherjee, entre outros Celebridades de alguma forma envolvidas com a luta contra o apartheid também devem estar presentes como os músicos Bono e Peter Gabriel. Após a cerimônia de terça-feira, o corpo de Mandela será levado em cortejos por três dias em Pretória e depois seguirá para a vila de Qunu, onde será enterrado no domingo (15). http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131208_mandela_chefes_lk.shtml

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Resumo das Obras Literárias da URCA 2013.2

ESSA NÃO MATÉRIA NÃO REFLETE UM RESUMO FIEL DAS OBRAS EM QUESTÃO. POIS AS OBRAS FORAM DEBATIDAS E RESUMIDAS NOS GRANDES SEMINÁRIOS, DEBATES E PALESTRAS FEITAS NOS CURSINHOS DA REGIÃO. TRATA-SE DE UMA BUSCA QUE EU FIZ NA NET EM BUSCA DESTAS OBRAS E ENCONTREI ALGUMAS LEITURAS INTERESSANTES, PORÉM, FORNECE MAIS UMA NOÇÃO DO QUE SE TRATA AS LEITURA DOS LIVROS EM QUESTÃO. É PARA AQUELES QUE NÃO TIVERAM ACESSO AS PALESTRAS, E PODEM FAZER ESSA LEITURA ATRAVES DESTE APANHADO QUE FIZ NA NET. BOA LEITURA E SUCESSO NA PROVA. FACA, de Ronaldo Correia de Brito _______________ Nos contos de Faca, Ronaldo Correia de Brito concilia a tradição regionalista com uma noção de fatalidade que não conhece tempo nem lugar É aventura temerária aquela do escritor que ainda hoje se atreve a embrenhar-se pelo sertão nordestino seguindo a trilha aberta pela literatura regionalista brasileira. Não porque seja ele território desconhecido, mas justamente pela razão contrária: a antiga terra ignota dos modernistas da primeira metade do século 20 já não parece guardar tantos mistérios assim. Já explorado em dúzias de obras, esse universo de geografia inclemente e tradições arcaicas carrega o risco de ser reproduzido segundo velhas e gastas fórmulas, obedecendo a um esquema gravado no imaginário coletivo. Que segredos o fim do mundo pode ainda guardar? Faca, coletânea de contos do cearense Ronaldo Correia de Brito, é um dos livros que mais se aproximaram de responder a essa pergunta recentemente. E o faz de um modo bastante curioso: na superfície, não há nada nele que surpreenda. Ao longo de suas 11 narrativas, surgem as mesmas situações e personagens que a tradição literária tornou familiares: amores abismados até a morte, honra, traições, emboscadas, vendetas, valentões, bandidos e mulheres virilizadas em um mundo hostil e duro. Não falta nem mesmo, aqui e ali, a musicalidade daquela linguagem de coloquialismos estranhos, mas exatos na expressão de angústias e perigos, com seus “rastros de gemidos e desfeitas”, “dolorosos aboios” e “cerrações de unha-de-gato”. Contudo, em cada uma dessas características conhecidas, Brito insere, com o cuidado de quem parece saber que nem tudo pode ser dito, os sinais que apontam para uma realidade que, não importa o quanto se pense decifrada, segue um ritmo que nos escapa. Nos enredos de Faca, predomina uma noção de atemporalidade que não é apenas aquela que se entrevê na persistência dos valores de um passado longínquo e na sucessão das horas mortas: ela está, sobretudo, numa espécie de fatalidade essencial, que conduz tudo e a todos ao desaparecimento, ao esquecimento, à morte. É aí que o escritor encontra a sua singularidade. Em Faca, Brito retorna, por exemplo, a um dos arquétipos mais antigos da tragédia: a de que o mal surge no seio da própria família, que, ao fim, é encaminhada para a extinção. Em Redemunho, um dos melhores contos do livro, isso surge exemplarmente no confronto entre filho e mãe, os últimos remanescentes de uma família aristocrática: ele, traído pelo irmão; ela, cúmplice do crime. Em Inácia Leandro, o embate se dá entre irmão e irmã; em Cícera Candóia, entre filha contra a mãe, numa família marcada pelo parricídio. Mesmo em Faca, Mentira de Amor e A Escolha, em que os crimes envolvem, em circunstâncias as mais diversas, marido e mulher, as razões nunca são passionais no sentido habitual: há algo mais perverso – como um destino que não pode ser evitado. De certo modo, o mundo arcaico de Faca funciona como uma espécie de pretexto para voltar a perscrutar aqueles segredos que são próprios do ser humano e independem de época ou de lugar. A terra ignota da literatura regionalista é, na verdade, o território dos terrores mais íntimos e antigos do homem – é quando, para se usar uma expressão consagrada, o regional se transforma em universal. Se um escritor como Ronaldo Correia de Brito consegue ao menos se aproximar dessa humanidade primitiva, escapando das armadilhas das fórmulas gastas, seu papel está cumprido. Mesmo que, no fundo, suas histórias sejam sempre tragicamente conhecidas. BRAVO!, abril de 2003 Análise da obra ______________ Na obra Contos Negreiros, Marcelino Freire ______________ aborda temas delicados e polêmicos como racismo, turismo sexual, tráfico de órgãos e homossexualismo. A paisagem urbana é o cenário principal de seus cantos (contos). Algumas paisagens de importantes centros urbanos, como Recife e São Paulo, como as zonas de prostituição, morros, favelas e pontos turísticos, tornam-se palcos para a exposição de uma realidade complexa e miserável, vivida por prostitutas, “bichas”, negros, índios, além de abrigar traficantes de órgãos e de drogas, e turistas sexuais. Marcelino Freire apresenta 16 narrativas (contos e crônicas) que procuram aproximar-se de uma linguagem coloquial, memorial e, às vezes, musical, baseada nas influências deixadas pela oralidade das ladainhas e canções nordestinas. Ele escreve a partir do ponto de vista de brasileiros miseráveis ou mortos-vivos, que, como “zumbis”, vendem de tudo para sobreviver: drogas, o corpo, o rim. Sua criação literária passa pela valorização da memória, oriunda das heranças culturais – a cultura popular nordestina – e a percepção de um tempo presente. As experiências ocorridas no dia a dia das metrópoles brasileiras apresentam testemunhos de sujeitos que estão à margem da sociedade contemporânea. Sujeitos sem voz, sem espaços para o testemunho, vistos quase como objetos ou tratados como objetos pela mídia e por toda sociedade. Embora o título do livro e a capa do mesmo, com uma imagem de um homem negro (possivelmente escravo), indiquem, num primeiro momento, que as narrativas são dedicadas a histórias sobre o negro, o autor não parte do preconceito ao negro ou de sua realidade de exclusão para compor sua obra. Ela é composta pela experiência de exclusão de todos os “mortos-vivos” que perambulam pelas ruas dos grandes centros do país, independentemente da cor da pele. A narração de uma experiência guarda algo da intensidade do vivido, seja por aqueles que narram sua própria experiência ou por aqueles narradores observadores que narram a experiência do outro. Nos Contos Negreiros, são narrados acontecimentos comuns à vida de sujeitos comuns. Fatos do dia a dia narrados por seus protagonistas, aqueles que sempre têm suas vozes emudecidas pelos próprios acontecimentos dos quais são autores. Para tanto, Freire utiliza-se, como já citado, da oralidade, da memória, ora do relato objetivo, ora do relato subjetivo, para desenvolver testemunhos que não visam formar uma identidade, mas apresentar as condições extremas vividas em plena contemporaneidade. Tais condições são encontradas no “canto” Nação Zumbi, que apresenta a história de um personagem sem nome, que estava prestes a fechar um negócio: a venda do próprio rim para traficantes de órgãos. O personagem narra com indignação e frustração a interrupção da compra, a impossibilidade do fechamento do negócio. A polícia descobre a trama e o desfecho da história é a afirmação: “sei que vão encher meu rim de soco”. Ele acreditava que a venda do seu órgão era uma forma de mudar de vida, de “livrar sua barriga da miséria”. O texto mostra a pobreza, o comércio ilegal, o corpo como moeda, como pode ser lido na seguinte passagem do conto: “E o rim não é meu? Logo eu que ia ganhar dez mil, ia ganhar. Tinha até marcado uma feijoada pra quando eu voltar, uma feijoada. E roda de samba pra gente rodar (..) E o rim não é meu, sarava? Quem me deu não foi Aquele-lá-de-cima, Meu Deus, Jesus e Oxalá? (...) O esquema é bacana. Os caras chegam aqui levam a gente para Luanda ou Pretória. (...) Puta oportunidade só uma vez na vida (...)”. Na história acima, o protagonista teria que ir a Luanda ou Pretória para fazer sua cirurgia. As metrópoles, desde o período moderno, surgem como centros para a formação cultural, intelectual e profissional do homem que, então, através do trabalho, gera o progresso. No entanto, elas tornaram-se também o cenário mais comum dos processos ilícitos construídos pela humanidade: tráfico, sequestro, violência, roubos. O autor abriga seus personagens dentro das zonas mais inóspitas da cidade, mas sem deixar de produzir um fascínio nos próprios personagens (e nele mesmo). O testemunho representa as experiências de um coletivo que as torna, sobretudo, comunicáveis. Algo que, embora possa virar notícia, não torna a experiência uma mensagem a ser legitimada. Segundo Beatriz Sarlo, para existir a experiência é necessário que a narração esteja unida ao corpo e é exatamente esse tipo de narração que é feito pelos personagens dos Contos Negreiros, pois suas experiências são contadas com os próprios corpos e através da memória do seu autor. As experiências do nordestino que muda para a cidade grande oferecem a Marcelino Freire uma série de acontecimentos e histórias que são transformadas em relatos do cotidiano dos personagens excluídos. Os testemunhos dos personagens apresentam a vida do citadino, em particular daqueles que habitam no submundo da cidade, vivendo à margem, mas que ganham voz e corpo nas narrativas do autor pernambucano. Os sujeitos-testemunhas transmitem suas experiências fatídicas, entretanto, esses personagens não são mais importantes que os efeitos dos seus testemunhos ou que as mensagens transmitidas pelos seus relatos. Para Beatriz Sarlo: “Em suma, não se pode representar tudo o que a experiência foi para o sujeito, pois se trata de uma matéria prima em que o sujeito-testemunha é menos importante que os efeitos morais de seu discurso. Não é o sujeito que se restaura a si mesmo no testemunho do campo, mas é uma dimensão coletiva que, por ocasião e imperativo moral, se desprende do que o testemunho transmite”. O testemunho na obra de Freire nasce de um anseio subjetivo, mas que expressa situações limites vivenciadas por um coletivo, revelando, portanto, o cenário que compõe a vida contemporânea nas cidades brasileiras, embora pareça distante e imperceptível à nossa sociedade. As experiências dos seus personagens-testemunhas são comunicadas a partir de uma linguagem que beira a oralidade, vinda das ruas para dentro do texto escrito. O relato testemunhal dos personagens-excluídos de Marcelino Freire nos permite enxergar com mais lucidez a realidade vivenciada por eles e que apontam para uma visão realista e literariamente ligada ao contemporâneo. Um dos textos mais criativos do livro é "Linha de tiro", diálogo que se repete indefinidamente, como aquelas figuras dentro de figuras dentro de figuras, com as quais Magrite brincava com grande habilidade. A conversa é um assalto em que a mulher acha que o assaltante lhe quer vender chocolates. Serve para mostrar a infinidade de mal-entendidos que é esta nação, pois nem o assaltante se consegue fazer entender: diante da ameaça não há pânico, apenas estranhamento, como se cada um falasse uma língua diversa e nem mesmo o gestual tivesse um significado: "É um assalto! Não, obrigado, hoje não vou querer chocolates". É um texto rico para pensarmos a dificuldade histórica que o Brasil tem de elaborar um discurso constitutivo, em que todos falem um idioma comum em prol da construção de algo duradouro e consistente. "Yamani", trata de um assunto quase ignorado na nossa prosa: o turismo sexual e a exploração de crianças prostituídas. Um turista, ao viajar pela Amazônia, deixa claro sua aversão ao Brasil e suas florestas, mas, ao mesmo tempo, narra seu desejo por uma criança indígena (prostituta), como é possível observar neste trecho: “E os índios? O que tem os índios? O que você achou dos índios do Brasil? Fodam-se os índios do Brasil. Toquem fogo na floresta. Vão à merda (...) Só lembro de Yamami. Sempre gostei de crianças. Aqui é proibido. Yamami, meu tesouro perdido (...) Indiazinha típica dos seus trezes anos. As unhas pintadas, descalçadas. Tintas extintas na cara. Coisinha de árvore (...)”. No conto, o estrangeiro revela seu descaso referente à natureza e ao povo brasileiro. Seu interesse pela indiazinha Yamami, de treze anos, é puramente sexual. A crítica à situação dos índios e à exploração de crianças no Brasil é direta: “Lá posso colocar Yamami no colo e ninguém me enche o saco. E ninguém fica me policiando. Governo me recriminando”. Nota-se que o texto nos oferece a experiência vivida por um estrangeiro no Brasil, que viaja pela Amazônia e se encontra com “uma indiazinha”. O testemunho aqui se dá de duas formas: a primeira é a visão desinteressada e alienada que esse estrangeiro tem sobre o país, nada disposto a conhecer a cultura, as tradições, a floresta ou os problemas sociais da Amazônia. Por outro lado, esse mesmo personagem nos apresenta à realidade: o turismo sexual e a prostituição infantil que tomam conta das capitais do país e a marginalização dos nossos índios. A história, em princípio, surge como um simples relato de mais um turista vindo ao país, interessado nas “belezas tupiniquins”, mas que ganha uma dimensão maior ao denunciar uma situação-limite. "Solar dos príncipes" traz um grupo de moradores de uma favela que resolve filmar o dia a dia dos moradores de um condomínio de luxo, um toque sarcástico para comentar a onda que tem sido engomadinhos com uma câmera na mão entrando nas favelas para registrar o ‘inusitado’ e ganhar prêmios internacionais em cima da miséria alheia. Aqui os papéis se invertem, mostrando a situação num avesso cheio de pequenas sutilezas. Já se inicia anunciando a que vem: “Quatro negros e uma negra pararam na frente deste prédio”. Trata-se de um grupo de amigos do Morro do Pavão que quer filmar um apartamento e fazer uma entrevista com um morador. Quando o porteiro, também negro, impede a entrada do grupo, o narrador desabafa: “A ideia foi minha, confesso. O pessoal vive subindo no morro para fazer filme. A gente abre as nossas portas, mostra as nossas panelas, merda”. O incômodo com o fato de permitir a entrada aos de fora, mas não ser recebido quando se desloca ao bairro rico, é manifestado pelo narrador. Ainda, denuncia-se a visão distorcida dos que documentam a periferia: “A gente não só ouve samba. Não só ouve bala”. Ao fim, o porteiro chama a polícia e, assim, a estreia dos quatro aspirantes cai na mesmice: novamente o filme tem tiro e sirene da viatura policial. "Nação Zumbi", como já citado acima, é um dos pontos altos do livro conta a história de um homem preso por tentar vender o próprio rim, que afinal, era dele, podia fazer com o órgão o que lhe desse na telha. Há um diálogo com o personagem andarilho de "Cronicamente inviável", filme pouco visto e que tirante alguns exageros, poderia colocar na pauta do dia assuntos que urgem ser discutidos - e sem hipocrisia - pela nossa sociedade. O preconceito racial é retomado. O narrador tenta provar de que maneira a venda de seu rim o tiraria da situação de pobreza em que se encontra. No entanto, o tom de decepção de sua fala e a chegada dos policiais no fim da narrativa prenunciam o seu destino: “A polícia em minha porta, vindo pra cima de mim. Puta que pariu, que sufoco! De inveja, sei que vão encher meu pobre rim de soco”. "Coração" é um texto mais longo, em que salta a veia narrativa de Freire. Seu tema é a homossexualidade. Em “Totonha”, uma senhora discursa sobre os motivos de não querer aprender a escrever: não é mais moça, não tem importância alguma, não quer baixar a cabeça para imprimir seu nome em um pedaço de papel. Totonha argumenta: “O pobre só precisa ser pobre. E mais nada precisa. Deixa eu, aqui no meu canto. Na boca do fogão é que fico. Tô bem. Já viu fogo ir atrás de sílaba?”. Em“Trabalhadores do Brasil”, o autor refere-se aos homens e mulheres que se esforçam todos os dias em subempregos para sobreviver. As personagens desse canto recebem os nomes de alguns Orixás e de referências africanas e afro-brasileiras: Olorô-quê, Zumbi, Tição, Obatalá, Olorum, Ossonhe, Rainha Quelé, Sambongo. O narrador interpela diretamente o leitor com a pergunta ao final de cada parágrafo: “(...) tá me ouvindo bem?”. Sem nenhuma pontuação, o texto explode em uma crítica indignada aos “pré-conceitos” relacionados aos negros, mais direta no primeiro e nos últimos parágrafos: “(...) ninguém vive aqui com a bunda preta pra cima tá me ouvindo bem?” e “Hein seu branco safado? Ninguém aqui é escravo de ninguém”. “Esquece” define o que é violência aos olhos de um excluído social, que representa tantos outros. Também marcado pela falta de pontuação, o conto é um “desafogo” diante das notícias frequentes sobre o tema, veiculadas intensamente nos jornais e na televisão, através da lente das classes média e alta. Nesse conto, a vítima está do outro lado, quase sempre esquecida: “Violência é a gente receber tapa na cara e na bunda quando socam a gente naquela cela imunda cheia de gente e mais gente e mais gente e mais gente pensando como seria bom ter um carrão do ano e aquele relógio rolex mas isso fica para depois uma outra hora. Esquece”. A visão estrangeira da personagem alemã em “Alemães vão à guerra” representa o senso comum: “Nosso dinheiro salvarria, porr exemplo, as negrrinhas do Haiti”. A personagem olha para o Haiti e para Salvador como lugares quentes e cheios de amor. Porém, é possível afirmar que a noção de “estrangeiro” ultrapassa a questão da fronteira e instala-se nas diferenças entre as classes sociais, o que aponta alguns olhares estrangeiros dentro de um país tão desigual como o Brasil. Vaniclélia, personagem do conto homônimo, apanha do homem com quem vive e a quem chama de belzebu. Seu parâmetro de comparação são os “gringos”, que escolhem as mulheres no Calçadão de Boa Viagem: “Casar tinha futuro. Mesmo sabendo de umas que quebravam a cara. O gringo era covarde, levava pra ser escrava. Mas valia. Menos pior que essa vida de bosta arrependida”. No conto "Curso Superior" um jovem expõe à mãe seu medo de entrar na faculdade e não conseguir concluir o curso, por diversos motivos: porque possui deficiência nas disciplinas, tem medo do preconceito, pode engravidar a loira gostosa da turma e não conseguir nenhum tipo de emprego, porque o policial vai olhá-lo de cara feia e ele vai fazer uma besteira. Seu fim seria a prisão, sem o privilégio da cela especial. Por meio desse discurso profético, o círculo vicioso do preconceito racial e social é tratado com ironia pelo autor. O conto “Caderno de turismo” foge um pouco da temática do livro, mas não deixa de ser polêmico: “Zé, olhe bem defronte: que horizonte você vê, que horizonte? Pensa que é fácil colocar nossos pés em Orlando?” (p.69). “Nossa rainha” e “Meu negro de estimação” tratam, essencialmente, do embranquecimento do negro. O conflito entre o desejo da menina do morro de ser a Xuxa e a situação de pobreza em que se encontra faz com que sua mãe reflita sobre as diferenças sociais entre sua filha e a Rainha dos Baixinhos. A mídia, novamente, constrói um modelo que reforça o preconceito racial e social. A menina pode vir a ser a Rainha da Bateria, sonho mais próximo à sua realidade. Xico Sá questiona se o conto “Meu negro de estimação” não seria uma fábula a Michael Jackson. O narrador refere-se a seu negro de estimação como um homem melhor do que era: “Meu homem agora é um homem melhor. Mora nos jardins, veste calça. Causa inveja por onde passa. Meu homem não tem para ninguém, só para mim. Meu homem se chama Benjamin”. É importante lembrar que, na gravação em CD que Marcelino Freire fez de seus Contos Negreiros, há uma mudança significativa nesse conto: substitui-se “homem” por “negro”. Créditos: Revista Catorze, | Sálvio Fernandes de Melo, Universidade Estadual de Londrina | Moacyr Godoy Moreira, mestrando em Literatura Brasileira, USP-SP | Flávia Merighi Valenciano, Mestra em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, FFLCH-USP. ___________________________ [Resenha] "Para Viver um Grande Amor: Crônicas e Poemas" de Vinicius de Moraes __________________________ De tão bela muitos se inspiraram nela e escreveram milhares de outras palavras; alguns morreram por ela. De tão forte que é alguns nunca se permitiram sentir, outros tiveram medo por a mesma não ter um significado preciso, apenas suposições. “Para Viver um Grande Amor: Crônicas e Poemas” (Companhia das Letras, 1991), de Vinicius de Moraes, retrata o amor pela vida, pela “Bem-Amada”, à poesia, à música, o amor de amigos, amor à profissão, ao olhar do Cronista. Não sou um conhecedor da obra de Vinicius de Moraes, tanto é que este se consagrou como o primeiro livro que eu apreciei do autor, e verdadeiramente não será o último. Vinicius de Moraes revelou, com excelência, a maestria de escrever e retratar o cotidiano em sua obra, com uma linguagem direta, envolvente... Sem deixar que a mesma torna-se menos lírica e trabalhada. “Para viver um grande amor” é considerado o primeiro livro em prosa do autor, sendo que, o livro alterna poesias e crônicas escolhidas pelo próprio Vinicius de Moraes para serem publicadas. Analisando como um todo, percebi uma evolução, talvez intencional, nos temas e profundidade dos mesmos, e da própria linguagem o que agradará leitores iniciantes aos mais experientes. O livro começa com uma exortação ao exercício da crônica. Certa vez um “escritor universitário” elogiou escritores que procuravam iniciar as suas obras com aquela frase, que te surpreende; Vinicius nos traz a seguinte Frase: “Escrever prosa é uma arte ingrata”. Para amantes da escrita e da leitura em prosa, como eu, tal frase é uma surpresa e uma revelação. A partir de então começa a alternância de poesia e crônicas. As poesias são de infinita grandeza, por mais simples e curtas que sejam algumas, todas tem um alto grau de significados, nunca verás o mesmo significado duas vezes. Como se estuda na Teoria Literária: contém uma linguagem carregada de signos multivocos. Destaco algumas que, particularmente, emocionaram e me fizeram refletir, e mais: deram-me motivos para me aventurar cada vez mais no mundo da poesia. São elas: “O Poeta aprendiz”, “Carta aos puros”, “O Poeta”, “O Verbo no infinito” e “O Poeta e a Rosa”, na qual tomo a liberdade de apresenta-la logo abaixo: A Crônica é uma paixão antiga, e para aqueles que ainda não buscaram também se aventurar no âmbito da crônica, aconselho a buscar este livro. Crônicas, não importa de que época seja sempre vamos encontrar vestígios da atualidade em cada uma delas. Tomo por exemplo às crônicas “Separação” e “Namorados Públicos”, que foram escritas por Vinicius de Moraes entre os anos de 1957-1960, e lendo hoje são tão atuais quando naquela época. Ambas retratam o namoro nas praças, o jeito de namorar, o amor platônico, a sociedade... Em “Namorados Públicos” o autor chega a pedir à sociedade uma “Trégua aos namorados”. Aos estudantes de letras há neste livro abordagens úteis ao estudo da crônica e da poesia. A Crônica “Sobre Poesia” nos faz refletir (falo aqui, também como estudante de letras) e nos leva a uma possível definição do que é a poesia. Vinicius definiu o poeta como ‘estruturador de línguas’ e logo de ‘civilizações’ E não se pode esquecer se mencionar a crônica que dar nome ao livro. A crônica “Para viver um grande amor”, na minha singela opinião, é uma das mais lindas definições de amor já escrita, e traz verdadeiros ensinamentos, para alguns parecerá óbvio, mas são lindos e concretos. Dizer, por exemplo, que ‘não existe amor sem fieldade’, que para viver um grande amor prefeito ‘não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito – peito de remador’, são fatos inquestionáveis. Ao final desta edição de 1991, da editora Companhia das letras, o livro traz crônicas inéditas do autor. Um livro sempre terá um significado diferente para cada leitor, logo, para mim terminar de ler este livro é guardar na lembrança momentos incríveis de leitura no meu quarto, no ônibus, em um hospital, e acompanhado da pessoa que me apresentou esta obra. Eis aqui um livro que vale a pena ler e reler, além de se apaixonar pela poesia, pela crônica e no meu caso querer mais da obra de Vinicius de Moraes. "Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor." (Vinicius de Moraes) Por Jônatas Amara ________________________________ Resumo do livro Aves de Arribação de Antônio Sales ________________________________ Conheça mais sobre o Autor Antônio Sales nasceu a 13 de junho de 1868, na pequena localidade de Parazinho, município de Paracuru, no Ceará. Trabalhou desde muito jovem, primeiramente no comércio de Fortaleza, cidade que adotou ainda garoto, aos quatorze anos. Tornou-se autodidata, quando teve que abandonar os estudos colegiais por sua família não dispor de recursos. Tranqüilo, mas de espírito inovador, começou a publicar alguns poemas em jornais da província cearense, tendo colaborado com algumas poesias no jornal A Quinzena, órgão de divulgação da agremiação literária Clube Literário. Em 1890 lança sua primeira obra: Versos Diversos. A partir de então não pôde mais parar. Dois anos depois ele idealiza e organiza uma agremiação literária, talvez a de maior reconhecimento nacional e a mais renovadora das letras cearenses: A Padaria Espiritual.Mais conhecido pelo seu romance regionalista Aves de Arribação, de 1914, Antônio Sales foi também historiador literário, poeta e idealizou e projetou, nacionalmente, a Padaria Espiritual, da qual era o seu padeiro-mor. Antônio Sales estudou as primeiras letras na terra natal e na cidade de Soure (Caucaia), mas teve que parar, para enfrentar a dura vida do comércio, em Fortaleza, quando apenas tinha 14 anos de idade. Pai cego, família pobre, o poeta passou oito anos nesse trabalho, mas em 1888 conseguiu a nomeação para um cargo da Intendência de Socorros Públicos de Fortaleza.Entrando para a política, alcançou importantes cargos, ao lado de sua atividade jornalística e literária, o que deu na Padaria Espiritual. Irrequieto, insatisfeito, Antônio Sales parte para o Rio de janeiro (1897) e vai trabalhar no Tesouro Nacional e no Correio da Manhã, recém-fundado. Participou de rodas intelectuais no Rio e chegou a conviver com os fundadores da Academia Brasileira de Letras, mas não quis candidatar-se a uma cadeira.Em 1920 está de volta ao Ceará, onde chega bafejado pelo sucesso do lançamento de Minha Terra. Dois anos depois contribui para a reorganização da Academia Cearense de Letras. Morava em Jacarecanga, em casa modesta, onde morre no dia 14 de novembro de 1940. OBRAS: Versos Diversos – 1890(poesia); A Política é a mesma – 1891(teatro); Trovas do Norte(poesia) – 1895; Poesia – 1902; O Babaquara – 1912(História política do Ceará); Aves de Arribação – 1914; As Leituras(Palestra) – 1918; Panteon(poesia) – 1919; Minha Terra (poesia) – 1919; O Matapau(teatro) – 1931; Retratos e Lembranças(memórias) – 1938; Águas Passadas(poesia) obra póstuma; Fábulas Brasileiras – obra póstuma; Estrada de Damasco – romance que o poeta deixou inacabado. RESUMO DO LIVRO Ipuçaba encontra-se festiva. Todos esperam a chegada do novo promotor de justiça: Alípio Flávio de Campos, sobrinho do novo vigário da cidade. Padre Balbino substituíra Serrão, um padre desprovido de valores evangélicos; mais preocupado com a política local e com os benefícios da igreja do que com os paroquianos. Deste modo, Pe. Serrão envolvera-se politicamente com João Ferreira, chefe do Partido Conservador. Chefia conquistada por meios ilícitos.João Ferreira ao chegar a Ipuçaba, não passava de um rapaz magro, imberbe e miserável. Aos poucos conquista a amizade do Major José Herculano, este, encantado com a disposição do jovem, proporciona-lhe crédito na praça e dinheiro para que João Ferreira pudesse estabelecer-se comercialmente na cidade.Mesmo com o comércio crescendo, J. Ferreira, tempos depois, declara-se falido. E com isso o Major é obrigado a pagar a conta. Não tarda e descobre-se que a falência de João Ferreira não passava de uma fraude e ele vai parar na prisão. Depois de um ano preso, João Ferreira retorna à Ipuçaba cheio de ódio e com um grande carregamento de mercadorias, junte-se a isso a nomeação de delegado e a credencial de chefe do Partido Conservador.Padre Serrão dominado pela ambição tornou-se logo aliado político de João Ferreira o qual cada vez mais via seu poder político crescer. Com a proclamação da república, J. Ferreira declara-se monarquista e o mesmo é destituído do poder. Pouco depois morre Padre Serrão, deixando seu rico legado ao seu sobrinho, José Serrão.Padre Balbino, diferente de seu antecessor, não tinha vocação para a política, evitando relações com João Ferreira, no entanto se aproximava de Chico Herculano, filho do Major, e encarregado de juntar “elementos para o novo partido filiado ao Centro Republicano”.É comum, dentro da obra, a representação de costumes tipicamente cearenses. Um desses é a roda de palestra ao final das tardes. Através dessa tentativa de representar os costumes locais temos uma das principais características da obra que é o tom costumbrista. Outro ponto importante é a sempre veiculação, na apresentação da personagem, à sua profissão. Teremos na primeira roda de conversa, além do Padre Balbino, o bodegueiro Lucas, o coletor Asclepíades Orestes de Aconcágua Pinto, o escrivão Casimiro e o professor Agrela. Todos jogam Gamão e conversa fora, um velho entretenimento interiorano.A narrativa prossegue e temos em seguida um perfil do nosso protagonista: Alípio Flávio de Campos. Fica claro o caráter boêmio do promotor. Quando na faculdade de Direito, em Recife, dedicando-se à rodas literárias e à vida noturna, além de polemizar em jornais. Com a morte do pai, seu tio, Balbino, assumiu a tutela e passou a cobrá-lo, ameaçando cortar mesada se ele não se formasse. Aos vinte e quatro anos, Alípio se diploma. O tio arranja-lhe logo o convite para que ele assumisse a promotoria da comarca de Ipuçaba.Por conseguinte a sua chegada, temos o padre Balbino preocupado com os preparativos para a recepção de seu sobrinho. O padre conta com a ajuda de Chico Herculano e os cidadãos próximos ao padre.O promotor chega por volta do meio-dia sob o olhar curioso de toda a cidade. Ao apear o cavalo é recebido com “vivas”. Inicia-se um almoço seguido da apresentação dos íncolas de Ipuçaba ao ilustre promotor. Do almoço encarregou-se Asclepíades, uma vez o vigário não dispunha de espaço nem de pessoas para realizá-lo. O jantar ficou por conta do Major José Herculano que preparava um jantar dançante para todos os convidados. Após o jantar, com a sala cheia de moças e rapazes, a banda toca uma quadrilha para que todos dançassem.Aesta altura, Alípio já havia conhecido Florzinha, filha do Coletor Asclepíades e passa a conhecer Bilinha, professora pública. A música segue e Alípio dança a primeira quadrilha com a professora “e no correr da festa, que acabou pela madrugada, ele levou a revezar as duas raparigas, experimentando sucessivamente as impressões diferentes que elas lhe davam... /... comparando-as, ora para deduzir uma preferência, ora fundindo-as para completar um tipo ideal de mulher, decidiu antes de adormecer que, faltando a uma requisitos possuídos pela outra, ele, como poeta e como homem, o que tinha a fazer era requestar a ambas.”Temos aqui o início do conflito central da obra, o triângulo amoroso formado por Alípio, Bilinha e Floriza.A estória prossegue, Alípio, que pensara que se entediaria numa cidade tão pequena e vulgar, oito dias depois de sua chegada, sente-se surpreso, pois já estava quase adaptado àquela vida; tinha hábitos sertanejos, acordava cedo, bebia leite mugido, tomava banho no rio, lia jornais enquanto merendava com o tio, depois do almoço, ia a fazer sua visitas. Destas, destaca-se as que ele fazia à casa do coletor e à casa de Maria Lina, mãe de Bilinha.O tempo passa e Alípio se faz amigo de Matias Araújo, um poeta sem sucesso que vivia as lamentações de sua pobreza (chegara até a pensar em suicídio). Matias afasta-se de Alípio quando percebe suas intenções para com a Florzinha, uma vez que Matias vertia puro e intenso sentimento.Alípio corteja as duas moças. Asclepíades vê em Alípio um possível genro bacharel, desejo que lhe invadia há tempos, e por isso ele não poupa esforços para realizá-lo. Florzinha detestava a idéia de ter Alípio como seu noivo, visto que ela se sentia atraída por Matias. Aqui podemos apontar a presença na narrativa um aspecto um tanto quanto romântico: o amor platônico, embora a obra seja realista de tendência regionalista.Delineia-se a narração e o bacharel com o pretexto da jogar víspora freqüenta quase todas as noites a casa de Bilinha, constância só interrompida quando D. Helena, mulher de Chico Herculano, adoece e Bilinha assume o cargo de enfermeira.Florzinha, quando lhe davam notícias do possível noivado da mesma com Alípio, ficava inquieta e chorava. Certa feita, Asclepíades chega a casa, junto a ele Alípio, para cearem; perguntam por Florzinha e D. Claudina, já percebendo o desapontamento da filha com a situação, desculpa-se dizendo que ela havia se retirado por estar com dor de cabeça. Ambos ficaram desapontados. Alípio chega a pensar sobre o possível envolvimento de Floriza com outro, uma vez que ele percebera certo distanciamento da moça, mas concluiu, galanteador que era, que tudo não passava de ciúme que Florzinha vertia por ele freqüentar constantemente a casa de Bilinha.Várias são as passagens em que o narrador descreve toda a beleza do sertão florido, chuvas em abundância e a fauna e a flora sertanejas espargindo-se do seio da terra. Durante o mês de abril, mês das águas mil, Capitão Galdino, tio de Florzinha, levava a sobrinha para uma temporada em sua fazenda na Varjota. A temporada na fazenda do tio surge como uma salvação para aquele momento inquietante por que passava Florzinha. Antes da ida de Florzinha, o narrador nos deixa sabedores dos boatos que circulavam na cidade sobre o triângulo amoroso que se configurava. Alípio continuava suas visitas, ficando até as vinte horas na casa de Florzinha e finalizava a noite em casa de Bilinha. Asclepíades toma conhecimento dos boatos, entretanto faz de conta que não sabia. O coletor procura uma forma para distanciar Bilinha de Alípio.A viagem de Florzinha ocorre mesmo a contragosto do pai, que queria a moça próxima do promotor.Depois da partida da menina, Alípio pensava sobre as atitudes dela, pensava sobre Bilinha e concluía que a sua predileção era pela professora, visto que esta “não pedia nada e podia conceder tudo”.As visitas à casa de Bilinha recomeçam, numa dessas o jogo de víspora não acontece. Alípio aproveita da situação para investir no seu desejo. Depois de algum tempo de prosa, com intensos elogios, deixando-a envergonhada o promotor tenta abraça-la, mas ela resiste. Alípio retoma seu intento com palavras maviosas e Bilinha acaba por ceder e se deixa beijar pelo conquistador. A cena só é interrompida com a chegada de Chico Herculano, que, com sua presença repentina, deixou o casal desajeitado.Algum tempo depois da acontecência, Alípio adoece gravemente da garganta. Asclepíades, acreditando no “dedo” da providência, toma para si e para sua esposa os cuidados com o Bacharel. Após cinco dias de febre, o enfermo melhora. Pinheiro (um tipo de médico sem “canudo”) sugere que o promotor vá respirar novos ares, se a febre não retornar. Asclepíades, com o consentimento do Padre Balbino, leva-o para Varjota. Na fazenda, a febre volta a acometê-lo. Pinheiro é chamado outra vez. Alípio melhora e recebe a visita dos amigos, entre eles, Casimiro, que, ao ser indagado pelo amigo sobre a professora, responde que a mesma anda recebendo visitas de Florêncio, moço de Pernambuco. Alípio é assomado pelo ciúme.Passam-se os dias, numa manhã, ao voltar de uma caçada, o bacharel fica a olhar Florzinha e Luisinha a tomarem banho nuas no riacho. Ele se espanta com tamanha perfeição e beleza física de Florzinha. A partir desse momento, percebe-se que Alípio muda sua opinião sobre a moça, chegando a confidenciar a Luisinha que pediria Florzinha em casamento.Alípio retorna a Ipuçaba, sabe através de Casimiro que a professora é visitada todas as noites por Florêncio. O promotor pediu-lhe que o ajude, fazendo com Florêncio não fosse visitar Bilinha aquela noite para que Alípio pudesse conversar a sós com a professora.Casimiro assim o faz. Já no da conversa Bilinha chora, demonstrando seu afeto pelo promotor. Este reclama por ela não ter ao menos se preocupado com sua saúde. Bilinha retruca e afirma que passou noites em branco preocupada com o bacharel. Alípio pediu-lhe perdão e Bilinha, ainda chorando, pediu a Alípio um favor: arranjar uma transferência para outra cidade. Alípio concorda.O tempo passa e Alípio trata de distanciar Florêncio de Bilinha. Dizendo primeiro a Casimiro para que este transmitisse a Florêncio que Bilinha era viúva. Ainda perdura uma indecisão por parte de Alípio com relação às duas moças.A professora envia um recado a Alípio, pedindo a presença do mesmo em sua casa. Queria declarar o seu amor ao promotor. Espera inutilmente. Dominada pelo ódio, devido à ausência de Alípio, ela aceita o pedido de Florêncio. Este tratou de espalhar nos quatro cantos da cidade que Bilinha lhe dissera “sim”. Alípio, diante da afronta, noiva com Florzinha. Pouco depois, Alípio viaja para a capital, onde já se encontrava a professora. Florzinha, enciumada, fica a esperar o noivo. Este he manda notícias cada vez mais desanimadoras. Os dias se sucedem e Florzinha continua esperando. É evidente na narrativa a analogia entre os amantes (Bilinha e Alípio) e as aves de arribação. Os dois foram em busca de terras mais propícias. Enquanto Florzinha esperava, esperava, esperava... ELEMENTOS DA NARRATIVA Narrador: A estória é narrada com um narrador heterodiegético, ou seja, narrador-observador ou em 3ª pessoa. Tempo: A narrativa se desenrola durante as duas últimas décadas do século XIX. Personagens: Protagonistas: Alípio Flávio de Campos; Bilinha; Florzinha.Secundários: Padre Serrão; João Ferreira; Major José Herculano; Chico Herculano; Asclepíades; Casimiro; Padre Balbino; Dona Claudina; Venâncio; Benvinda; Luisinha; Cazuza; Matias; Florêncio; Zé Pipoca. Este volume apresenta ao leitor todas as odes atribuídas a Reis. Também estão incluídos no livro versos e poemas anotados com pequenas alterações feitas pelo poeta, chamados de variantes, inseridos como notas de rodapé. De acordo com a biografia criada pelo próprio Pessoa, Ricardo Reis nasceu em 1887 no Porto e estudou em um colégio de jesuítas. Foi médico e fixou residência no Brasil desde 1919. Reis é o heterônimo neoclássico, da métrica perfeita, da temática pagã e da consciência da passagem rápida do tempo. Entre seus temas recorrentes podemos citar o do sofrimento diante dos mistérios da vida e da morte e as relações com as suas musas, Lídia, Neera e Cloe. Segundo a avaliação de Pessoa, “Reis escreve melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado”. Antes de tudo, é importante se esclarecer no que se constitui uma ode. É um modelo clássico de composição poética oriundo da Grécia Antiga. Tipo de texto cantado e acompanhado pela lira (instrumento musical). Possuidor de estrofes semelhantes pela métrica estabelecida, geralmente se compõe de quatro versos em cada estrofe, porém, não é regra geral. Antes de tudo, é importante se esclarecer no que se constitui uma ode. É um modelo clássico de composição poética oriundo da Grécia Antiga. Tipo de texto cantado e acompanhado pela lira (instrumento musical). Possuidor de estrofes semelhantes pela métrica estabelecida, geralmente se compõe de quatro versos em cada estrofe, porém, não é regra geral. "Poema lírico de forma complexa e variável, a ode caracteriza-se pelo tom elevado e sublime com que trata determinado assunto. As literaturas ocidentais modernas aproveitaram sobretudo, do ponto de vista da forma, a ode composta por três unidades estróficas, correspondentes, no desenvolvimento da idéia do poema, à estrofe, à antístrofe (cantada pelo coro, originalmente) e ao epodo (conclusão do poema). A ode comportava uma série de esquemas métricos e rítmicos, de acordo com os quais era classificada." _________________ AS ODES DE RICARDO REIS, de Fernando Pessoa __________________ As primeiras obras de Ricardo Reis foram publicadas na revista Athena (fundada por Pessoa) em 1924. Algum tempo depois foram publicadas mais oito odes na revista Presença. O restante dos poemas e prosas são de publicação póstuma. Como Fernando Pessoa mesmo disse, Reis é o heterônimo neoclássico, da métrica perfeita, da temática pagã e da consciência da passagem rápida do tempo. Dessa forma, se acomete de algumas características em comum com Alberto Caeiro, outro heterônimo de Pessoa (bio aqui). Com grande uso de hipérbato (figura de linguagem que consiste em trocar a ordem direta dos termos da oração (sujeito, verbo, complementos, adjuntos) ou de nomes e seus determinantes.), Reis também se mune de vocabulário extremamente erudito, preciso e com manifestação imperativa demonstrando atitude filosófica. Podemos encontrar lemas árcades inclusos em sua obra, a exemplo do Carpe Diem (Aproveite o Dia, aproveite com intensidade o presente) e Aurea Mediocritas (Mediocridade Áurea, ou seja, valorizar as coisas cotidianas). Além disso, Reis procura aceitar calmamente o destino e opta por não viver grandes emoções, sendo uma espécie de disciplina. Faz renúncia da vida através da recusa do amor e da consciência da inutilidade do esforço de mudança, já que o destino “é força superior ao homem”. Recusa o amor para evitar desilusões de maneira que nada modifique a serenidade e razão já estabelecidas, uma vez que tudo na vida tem um fim. Trechos que gostei e reservei para compartilhar com vocês: Pequeno é o espaço que de nós separa O que havemos de ser quando morrermos. Não conhecemos quem será o morto De hoje que então acaba. Só o passado, comum a nós e a ele, Será indício de que a nossa alma Persiste e como antiga ama, conta Histórias esquecidas… Se pudéssemos pôr o pensamento Com esta visão adentro de ideia Que havemos de ter naquela hora, Estranhos olharíamos O que somos, cuidando ver um outro E o espaço temporal que hoje habitamos Luz onde nossa alma nasceu Alheia antes de a termos. p.94 (31/1/1922) Pequenos fragmentos da contra-capa: Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é maios ou menos Do que nós queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós própios. [...] Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses. Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam. E como último legado do mestre, deixo breve texto dito por ele: "Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: ‘Navegar é preciso, viver não é preciso’. Quero pra mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa raça." ______________ O SILENCIO LAMINADO - ________________ Ele veio ao mundo em 1973, em Orós, mas fez de Barro sua morada como o joão que nos dá lições de chuvas. Professor por acidente, alumiou-se lamparinoso na incandescência do verso. Estava escrito desde os cafundós das eras: serás poeta por cima de pau e pedra. Cleilson Ribeiro mira dos alpendres telúricos, varizes e rugas da terra ressequida e fareja o cheiro feudal de uma saudade incendiária. Depois, num soluço banido de seu estro, cavalga as ossaturas das cacimbas em busca de uma água sem insígnia. Ser poeta é sua sina, o resto é presságio. É o poema que o põe em descaminho, instaurando um lugarejo de fogo, gravado no sal da palavra, verdadeiro afago de chicotes. Por isso foi, com devidas precauções, que em 2004 me hospedei nas páginas auríferas do seu "Do olhar mirando para trás". Diante de tanta fartura poética, pensei que o vate havia se esvaziado por ali, pelo resto dos dias. Mas agora vem ele sertânico, incendiário e incandescente, desembeiçando doidices metafóricas e botando as coisas para enxergá-lo no vazio. Poeta polidor de verbos, amola as ferramentas imagéticas e sai plantando atrevimentos poéticos. Esse agora "O silêncio laminado no casulo" ganhou o prêmio Caetano Ximenes Aragão, mas merecia ganhar todos os prêmios que por aqui se distribuem como o melhor livro de poemas de 2011. Acontece que o rapaz vive de tocaia lá no Barro do Major Zé Inácio, contando os calos que a mão lhe oferece, e cantando litanias à desolação e ao desassossego. Como seu avô, vive "ansioso por ver pingar do ventre das nuvens / um certo rio acantoado, / que se guarda no coração das chuvas". Dessas chuvas brotam caudalosos rios de palavras. O que canta esse moço? A vida que se esconde nas canções descabeladas e esquecidas sob a fuligem ancestral dos caminhos. Canta encantamentos, com seu olhar feito de mundo. Humaniza coisas predestinadas ao esquecimento de seus códices. Pode ser uma procissão de poeirentos olhares, uma tardezinha rejeitada pelo dia ou uma novena pesarosa cuja ladainha são resmungos de coisas perdidas. Por isso que, telúrico, esbanja conhecimentos do chão que o viu brotar, desde o nascimento das chuvas aos estertores da tarde que o sol salgou com sua língua de fogo. Por conhecer seu chão, seu adubo, é que ele canta a agrestividade da falta de chuva, que inferniza a paciência dos mais velhos, rói a esperança, enquanto ciranda o desespero, estilhaçando a paisagem com as lâminas da ventania. Quando termina o dia de fogo vertical, "a noite caminha sob a salmoura das pedras", assobiando palavras desusadas. Para enfrentar essa fornalha é preciso o couro curtido, herdado das gerações pretéritas, e a palavra poética feito brisa de outubro. É preciso adormecer entre suores e acordes de palavras que brotam de "uma voz antiga retendo dores num ladrilho". Cleilson Ribeiro semeia escamas que transformam esquecimentos em lembranças, desesperos em alvíssaras. Essa mania de aguar gravetos que se tornam plantas é milagre que só poetas transfiguram, derretendo resíduos de linguagens. Cleilson Ribeiro transforma a morte em passarinho. Depois alimenta revoadas com imagens barrocas cravadas em adjetivos inusitados e locuções provocadoras. É então que brotam: "sorrisos enferrujados", "lembranças idosas", "palavras esfaqueadas", "résteas ensanguentadas", "olho exausto", "aboio extenuado", "vilarejos desesperançados", "horizontes engaiolados" e "dias destroçados". Insatisfeito com essa adjetivação que é bem mais ampla, ele parte para o uso das locuções adjetivas ainda mais arrepiantes. Então vão aparecendo: "varizes da terra", "ossaturas das cacimbas", "sal da palavra", "afago dos chicotes", "ventre das nuvens", "fio de vento", "pólen de deus", "cinzas da eternidade", "latifúndios dos retratos" e "pupilas do tempo". OUTRO IMPORTANTE BLOG QUE DIVULGA AS OBRAS: http://www.joserobertoduarte.com.br/vestibular/resumo-de-obras/item/2661-resumo-das-obras-indicadas-para-o-vestibular-2014-1-da-urca FOnte: Coluna Batista de Lima - Caderno 3 - DN Foto: Wilson Bernardo - See more at: http://blogdocrato.blogspot.com.br/.../o-verbo-arido-do... Postado por Isabella Colmanetti Marcadores: Fernando Pessoa, Modernismo, Poesias, Resenhas, Ricardo Reis http://www.supervestibular.com/obras-literarias/ www.supervestibular.com http://www.supervestibular.com/obras-literarias/ www.supervestibular.com

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Laudo não indica causa da morte do menino Joaquim

O laudo do exame do corpo do menino Joaquim, obtido com exclusividade pelo Fantástico, diz que não é possível concluir qual foi a causa de sua morte. Por conta disso, foram pedidas análises mais detalhadas de sangue e vísceras, que devem estar prontas entre 10 e 20 dias, e podem dar mais informações sobre a morte do garoto, que foi encontrado morto em Ribeirão Preto.
Se a morte tiver sido causada por uma alta dose de insulina, no entanto, isso pode nem aparecer nos exames, já que a substância é rapidamente processada. As únicas lesões encontradas no corpo do menino foram na pele, em razão dos dias em que foi arrastado pelo rio. De acordo com o laudo, não foi encontrada água nos pulmões de Joaquim, o que indica que não houve afogamento. A polícia acredita que ele foi jogado morto no córrego Tanquinho, próximo à casa da família, no bairro Jardim Independência, em Ribeirão Preto. Um cão da PM apontou pistas de que Joaquim e o padrasto fizeram o mesmo trajeto da residência até o córrego. A reportagem do Fantástico mostra também uma conversa pela internet entre a mãe do menino Joaquim, Natália Ponte, e o padrasto dele, Guilherme Longo, que revela discussões do casal porque o técnico em TI havia voltado a usar cocaína. Nas mensagens trocadas pelos dois pelo computador, seis dias antes do desaparecimento de Joaquim, Natália reclama que o marido, quando usava o entorpecente, passava o dia dormindo e não a ajudava. Já Longo fala sobre "desistir" e fazê-la sofrer "uma última vez". Guilherme Longo e Natália Ponte estão presos temporariamente por suspeita de envolvimento no sumiço e na morte de Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, encontrado no Rio Pardo, em Barretos (SP). Eles alegam inocência no caso. Um dos trechos da conversa que ocorreu no dia 30 de outubro mostra que a mãe de Joaquim estava incomodada com as recaídas de Longo. "Você enfia esse troço no nariz e no outro dia você fica igual a um defunto nessa casa. Você chega, dorme, não me ajuda em nada", diz a psicóloga, na mensagem. Já o padrasto do menino responde dizendo que não aguenta mais a situação de dependência. "Eu vou desistir, amor. De verdade. De hoje não passa. Vou te fazer sofrer uma última vez, e talvez me odiar para sempre, mas eu não vou fazer mal algum mais para ninguém", afirma Longo. Segundo o advogado de Longo, Antônio Carlos de Oliveira, a mensagem está relacionada à tentativa de suicídio do técnico, ocorrida um dia antes do desaparecimento de Joaquim. Em depoimento prestado na semana passada à polícia, Natália afirma que Longo tentou se matar tomando 10 comprimidos de um medicamento usado por ele para dormir. Segundo ela, ele foi levado pelo pai ao hospital, de onde só recebeu alta na tarde do dia seguinte. Em outro momento, na mesma conversa pela internet, Natália pede para que Longo assuma para a família que voltou a usar drogas e admite que se sente insegura com a situação. "Então, se você quer mesmo parar, abre o jogo com as pessoas que te amam. Porque eu fico com medo de você aqui", diz. Natália descreve perfil agressivo Presa desde o dia 10 de novembro, Natália Ponte passou a descrever em seus depoimentos que Guilherme Longo era um homem ciumento e agressivo. Nas últimas declarações da psicóloga, feitas à Polícia Civil nesta quinta-feira (14), ela relata que Longo tinha ciúmes de todas as pessoas que se aproximavam de Joaquim e dela, chegando a pedir que ela abandonasse a clínica onde trabalhava. Natália também afirmou à polícia que Longo contou a ela uma certa vez que já havia agredido alguns dependentes químicos na época em que trabalhou como coordenador da clínica em que ficou internado. Segundo a psicóloga, o padrasto de Joaquim também tinha narrado um episódio em que tinha espancado dois homossexuais e teria batido em sua mãe. A reportagem também indica que o depoimento da mãe do menino Joaquim e do padrasto têm contradições. Uma delas é que, segundo Longo, a relação entre ele e Natália era boa e só se desgastou em setembro, quando ela descobriu que ele havia voltado a usar drogas. Já a mãe de Joaquim diz que desde o relacionamento eram ruim desde o início do ano e era ameaçada pelo marido. O padrasto também disse que tinha uma boa relação e era "muito carinhoso" com Joaquim. Natália diz que longo tinha ciúmes dela e de Joaquim e chegou a pedir que ela deixasse a clínica em que trabalhava. Para o delegado Paulo Henrique das Castro, as contradições indicam que Natália ou Longo estão mentindo em questões importantes. O advogado de Longo, Antônio Carlos de Oliveira, vê as contradições como "assessórias", coisas irrelevantes. Outra contradição apontada na reportagem é em relação ao uso de insulina pelo padrasto de Joaquim. Longo diz ter usado 30 unidades do hormônio para o tratamento da criança para conter a "fissura" por causa do vício em cocaína, e que Natália havia visto, deixando-o mais tranquilo. A mãe do menino diz que não viu esta aplicação e o endocrinologista Marcos Antonio Tambascia diz que o hormônio não traz tranquilidade, mas causa irritabilidade e nervosismo. A polícia acredita que as doses que Longo diz ter injetado em si mesmo podem ter sido aplicadas no menino, que tinha diabetes. Uma superdosagem de insulina pode causar uma hipoglicemia, que nos casos mais graves podem levar à inconsciência e ao coma. Defesa de Longo O advogado de Longo nega as acusações sobre o ciúme e sobre o perfil agressivo do padrasto. Em relação à conversa do casal pela internet, a qual a reportagem teve acesso, Oliveira explica que Longo, ao falar que faria Natália sofrer, estava fazendo menção ao suicídio - quatro dias após a conversa ele foi internado em um hospital após ingerir medicamentos para dormir. "Ele declara, nessa conversa que está juntada aos autos, ele diz no sentido que iria dar cabo a sua própria vida", afirma. Segundo Oliveira, Longo não se manifestou sobre a conversa porque ainda não foi indagado sobre este episódio durante depoimento à Polícia Civil. "No último depoimento ele não explicou esses detalhes porque a autoridade também não indagou. A partir do momento que a autoridade perguntar, certamente ele irá responder todos os detalhes dessa conversa", diz. O advogado ainda nega que o vício em cocaína possa ter trazido algum problema psicológico ao padrasto de Joaquim. "Usar drogas não causou nenhum transtorno mental a ele. O que tinha é que ele estava sofrendo, e sofrendo muito, para se libertar desse uso de entorpecente", conclui. Linha de investigação Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, desapareceu de dentro da casa da família, na madrugada de 5 de novembro, em Ribeirão Preto (SP). O corpo foi encontrado cinco dias depois, boiando no Rio Pardo. Ele foi enterrado na segunda-feira (11) em São Joaquim da Barra (SP). O promotor do caso, Marcus Túlio Nicolino, afirmou que a polícia e o Ministério Público continuam trabalhando com "a linha de que o assassino estava dentro da casa". Fonte: http://www.miseria.com.br

Situação do Blog Mandíbula de Altaneira em 18/11/2013

Há erro em um país com Dirceu preso e Maluf solto

Derrotada nas eleições, a classe dominante brasileira usou o estratagema habitual: foi remexer nos compêndios do "Direito" até encontrar casuísmos capazes de preencher as ideias que lhe faltam nos palanques. Como se diz no esporte, recorreu ao tapetão.
O casuísmo da moda, o domínio do fato, caiu como uma luva. A critério de juízes, por intermédio dele é possível provar tudo, ou provar nada. O recurso é também o abrigo dos covardes. No caso do mensalão, serviu para condenar José Dirceu, embora não houvesse uma única evidência material quanto à sua participação cabal em delitos. A base da acusação: como um chefe da Casa Civil desconhecia o que estava acontecendo? A pergunta seguinte atesta a covardia do processo: por que então não incluir Lula no rol dos acusados? Qualquer pessoa letrada percebe ser impossível um presidente da República ignorar um esquema como teria sido o mensalão. Mas mexer com Lula, pera aí! Vai que o presidente decide mobilizar o povo. Pior ainda quando todos sabem que um outro presidente, o tucano Fernando Henrique Cardoso, assistiu à compra de votos a céu aberto para garantir a reeleição e nada lhe aconteceu. Por mais não fosse, que se mantivessem as aparências. Estabeleceu-se então que o domínio do fato vale para todos, à exceção, por exemplo, de chefes de governo e tucanos encrencados com licitações trapaceadas. A saída foi tentar abater os petistas pelas bordas. E aí foi o espetáculo que se viu. Políticos são acusados de comprar votos que já estavam garantidos. Ora o processo tinha que ser fatiado, ora tinha que ser examinado em conjunto; situações iguais resultaram em punições diferentes, e vice-versa. Os debates? Quantos momentos edificantes. Joaquim Barbosa, estrela da companhia, exibiu desenvoltura midiática inversamente proporcional à capacidade de lembrar datas, fixar penas coerentes e respeitar o contraditório. Paladino da Justiça, não pensou duas vezes para mandar um jornalista chafurdar no lixo e tentar desempregar a mulher do mesmo desafeto. Belo exemplo. O que virá pela frente é uma incógnita. Para o PT, ficam algumas lições. Faça o que quiser, apareça em foto com quem quer que seja, elogie algozes do passado, do presente ou do futuro --o fato é que o partido nunca será assimilado pelo status quo enquanto tiver suas raízes identificadas com o povo. Perto dos valores dos escândalos que pululam por aí, o mensalão não passa de gorjeta e mal daria para comprar um vagão superfaturado de metrô. Mas como foi obra do PT, cadeia neles. É a velha história: se uma empregada pega escondida uma peça de lingerie da patroa para ir a uma festa pobre, certamente será demitida, quando não encarcerada --mesmo que a tenha devolvido. Agora, se a amiga da mesma madame levar "por engano" um colar milionário após um regabofe nos Jardins, certamente será perdoada pelo esquecimento e presenteada com o mimo. Nunca morri de admiração por militantes como José Dirceu, José Genoino e outros tantos. Ao contrário: invariavelmente tivemos posições diferentes em debates sobre os rumos da luta por transformações sociais. Penso até que muitas das dificuldades do PT resultam de decisões equivocadas por eles defendidas. Mas num país onde Paulo Maluf e Brilhante Ustra estão soltos, enquanto Dirceu e Genoino dormem na cadeia, até um cego percebe que as coisas estão fora de lugar. Fonte: Coluna do Ricardo Melo / Folha Online http://www.miseria.com.br/?page=noticia&cod_not=110548

domingo, 17 de novembro de 2013

Mais um capítulo da novela mensalão

Os 11 condenados no processo do mensalão que já se apresentaram à Polícia Federal (PF) foram conduzidos neste sábado (16) para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, informou ao G1 a assessoria da corporação. A penitenciária, localizada em São Sebastião (DF), tem capacidade para 5 mil detentos. Nove dos presos, incluindo o ex-ministro José Dirceu e o deputado licenciado José Genoino (PT-SP), foram transferidos para a principal penitenciária do Distrito Federal imediatamente após saírem do aeroporto de Brasília, vindos de São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG). Outros dois (Jacinto Lamas e Delúbio Soares) já estavam em Brasília. Depois de chegarem à Papuda, as duas mulheres do grupo – Kátia Rabello e Simone Vasconcelos – foram transferidas para a Penitenciária Feminina do Gama, cidade próxima a Brasília. Os nove homens ficarão na Papuda e as duas mulheres na Penitenciária Feminina até que o juiz da Vara de Execuções Penais de Brasília decida onde cada um cumprirá a pena. A maioria pretende ficar em estabelecimentos penais próximos de onde mora – José Dirceu, por exemplo, já pediu para cumprir a prisão em São Paulo. A transferência Um avião da PF partiu da capital federal no início da tarde deste sábado para buscar os condenados que tiveram a ordem de prisão decretada pelo Supremo na véspera. Dirceu e Genoino embarcaram na aeronave em São Paulo. Os outros sete réus, entre eles o operador do mensalão, Marcos Valério, foram apanhados na capital mineira. A aeronave da PF que trouxe os detentos pousou em Brasília por volta das 17h45. Os presosdeixaram o avião e ingressaram em um microônibus branco com vidros escuros. Somente às 19. O comboio seguiu do aeroporto diretamente para a Papuda. No meio do caminho, um segundo micro-ônibus que acompanhava os policiais se separou e se dirigiu para a superintendência da Polícia Federal. O veículo foi buscar outros dois réus – o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-tesoureiro do extinto PL (atual PR) Jacinto Lamas –, que haviam se entregado à polícia em Brasília. Dos 12 réus que tiveram mandados de prisão decretados, apenas um não se entregou: o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que, segundo o advogado, fugiu para a Itália. O ex-dirigente do banco público tem cidadania brasileira e italiana. Pizzolato divulgou nota justificando sua saída do país. o veículo deixou o terminal aeroportuário, escoltado por três carros da PF. Fonte: http://g1.globo.com

quarta-feira, 13 de março de 2013

NOVO PAPA É NOSSO VIZINHO

Habemus papam: argentino Bergoglio é eleito papa e adota nome de Francisco 1º Cardeal se torna o primeiro papa latino-americano da história. Novo papa foi eleito após dois dias de conclave realizado por 115 cardeais eleitores na Capela Sistina, no Vaticano iG São Paulo | 13/03/2013 16:15:15 - Atualizada às 13/03/2013 16:51:39 O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito o novo papa, anunciou nesta quarta-feira o cardeal diácono francês Jean-Louis Tauran ao aparecer na varanda central da Basílica de São Pedro. Bergoglio, que adotou o nome de Francisco 1º e se tornou o primeiro papa latino-americano e jesuíta da história, terá a missão de liderar os 1,2 bilhão de católicos do mundo após a renúncia de Bento 16 , oficializada em 28 de fevereiro . Fumaça branca sai da Capela Sistina: Igreja tem novo papa Cardeal argentino Jorge Bergoglio aparece na varanda central da Basílica de São Pedro após ser eleito novo papa Infográfico: Saiba como funciona o conclave para escolha do novo papa "Annuntio vobis gaudium magnum, Habemus Papam, Eminentissimum ac reverendissimum Dominum, Dominum Odilonem Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Bergoglio Qui sibi nomen imposuit Francisco", anunciou Tauran. A tradução desse anúncio oficial é: "Eu anuncio com grande alegria, temos papa, o mais eminente e reverenciado Senhor, Senhor Bergoglio, cardeal da Sagrada Igreja Romana Bergoglio, que usará pra si o nome de Francisco." Já com as vestes papais, o novo papa, que é o 226º papa eleito na história, apareceu na varanda para dar sua primeira benção ao mundo católico. "Antes de abençoá-los, porém, quero que vocês orem e peçam que Deus me abençoe", disse o novo pontífice, que antes havia pedido que a multidão orasse pelo papa emérito Bento 16. Após afirmar que a função do conclave era escolher um novo pontífice para Roma, o papa Francisco 1º brincou: "Parece que meus irmãos cardeais foram quase buscar (um novo papa) no fim do mundo." O anúncio de que os 115 cardeais reunidos desde terça haviam elegido o novo pontífice foi dado às 19h10 locais (15h10 de Brasília), após cinco rodadas de votação no conclave na Capela Sistina . Além da fumaça, badalos do sino ecoaram no Vaticano para que não restassem dúvidas de que o novo papa já havia sido escolhido. Quarta de manhã: Fumaça preta indica que Igreja segue sem papa Terça-feira: Primeira votação de conclave termina sem eleição de novo papa A chaminé da Praça de São Pedro serve como um indicativo para os fiéis - se a fumaça sai preta, significa que os cardeais não escolheram um novo papa. Mas, se sai branca, quer dizer que o novo papa foi eleito. O pontífice escolhido atingiu uma maioria de dois terços (no mínimo, 77 votos). Fórmula: Como é feita a fumaça que sai da chaminé da Capela Sistina no conclave? Os cardeais votaram duas vezes na manhã desta quarta e mais duas à tarde, após a primeira votação inconclusiva de terça no conclave para eleger o sucessor de Bento 16, que surpreendeu o mundo no mês passado ao se tornar o primeiro papa em quase 600 anos a renunciar. Antes do anúncio do novo papa, os nomes mais cotados eram do cardeal Angelo Scola , italiano tido como favorito entre aqueles que pretendem modificar a poderosa burocracia do Vaticano, e do cardeal brasileiro Odilo Scherer , favorito pelos burocratas internos do Vaticano que querem preservar seu status quo. Outros nomes apontados incluíam o do canadense Marc Ouellet, que chefia a Congregação para os Bispos; e o cardeal americano Timothy Dolan. Scherer vs. Scola : Antes da fumaça, disputa fica entre romanos e reformista INFORMAÇÃO: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-03-13/habemus-papam-bergoglio-e-eleito-novo-pontifice-e-adota-nome-de-francisco.html

segunda-feira, 11 de março de 2013

Período de Pré-Conclave

12/03/2013 00h05 - Atualizado em 12/03/2013 00h05 Cardeais dão início a conclave que vai escolher novo Papa Começo do processo é uma missa na Basílica de São Pedro. Eleito deve conseguir 2/3 dos 115 votos possíveis. Segundo o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, a missa não deve durar mais de 2 horas. Às 15h45 (11h45, pelo horário de Brasília), os cardeais vão para o Palácio Apostólico. De lá, às 16h30 (12h30 de Brasília), seguirão em procissão da Capela Paulina para a Capela Sistina. Os cardeais entram na capela, ocupam seus lugares e fazem o juramento previsto na Constituição Apostólica. Há uma introdução em latim, feita pelo cardeal italiano Giovanni Batista Re, como celebrante principal. Depois, cada um dos cardeais vai ao centro da capela, com a mão sobre o Evangelho, para dizer sua adesão ao juramento, tambem em latim. Então, a capela é fechada, após a saída das pessoas que não participarão do conclave. Começam, então, as votações. Neste primeiro dia só deve haver uma votação, segundo Lombardi. Caso não haja um candidato com ao menos 2/3 dos votos possíveis (77 votos), as cédulas são queimadas numa estufa e produzem fumaça preta. Porém, se houver um escolhido, a fumaça será branca. O cronograma prevê que os cardeais concluam os trabalhos às 19h15 (15h15 no horário de Brasília), retornando para a Casa Santa Marta. Às 20h (16h no horário de Brasília), será servido o jantar. Brasileiros Cinco brasileiros irão participar do conclave: o arcebispo emérito de São Paulo, Dom Claudio Hummes, de 78 anos, Dom João Braz de Aviz, de 65, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, de 63, Dom Geraldo Majella Agnelo, cardeal arcebispo emérito de Salvador, e o arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno. Neste domingo, alguns cardeais celebraram missas nas igrejas das quais são titulares em Roma. Dom Odilo celebrou uma missa às 10h30 na Igreja de Santo André no Quirinal, acompanhada por dezenas de jornalistas. Realizada no quarto domingo do período da Quaresma, que precede a Páscoa, o assunto geral dos textos lidos e também do sermão feito por Dom Odilo foi a misericórdia e a reconciliação com Deus. O cardeal brasileiro estava sereno e tranquilo, e sorriu em muitos momentos da missa – mesmo a celebração tendo sido filmada e fotografada. "Tem muita gente que vive como se Deus não existisse ou não tivesse importância", afirmou durante o sermão que durou 22 minutos. "Convido a orar para a Igreja fazer bem sua missão nesse tempo. Seguramente um tempo difícil, mas também alegre". Capela Sistina No sábado, bombeiros instalaram uma chaminé na Capela Sistina, onde será realizado o conclave. Pela chaminé sairá a fumaça preta ou branca, para o anúncio da definição ou não do novo papa. No fim de semana, funcionários do Vaticano trabalharam para deixar o local pronto, fazendo o nivelamento do piso, instalando mesas e cadeiras, entre outros. A capela está fechada para a visitação turística desde a última terça-feira (5). Decorada com afrescos dos maiores artistas do Renascimento, como Michelangelo e Rafael, ela fica dentro da ala de museus do Palácio Apostólico, na Cidade do Vaticano. Durante o período das votações, os cardeais não poderão receber informações externas durante a reunião, nem poderão ler jornais, ouvir rádio, assistir à TV ou acessar a internet, como prevê a Constituição Apostólica. Para garantir o sigilo do conclave, serão instalados bloqueios de comunicação para impedir o uso de equipamentos e dispositivos eletrônicos, como celulares. A medida já foi tomada com relação à Sala dos Sinodos, onde têm ocorrido as congregações, garantindo o segredo das reuniões. Renúncia de Bento XVI Bento XVI, desde 28 de fevereiro Papa Emérito, anunciou em 11 de fevereiro que havia decidido renunciar. Foi o primeiro pontífice a renunciar em mais de seis séculos, o que criou situações praticamente inéditas para a Igreja Católica Apostólica Romana. Desde a renúncia, Bento XVI está em Castel Gandolfo, a residência de verão dos Papas, que fica a cerca de 25 km do Vaticano. Ele permanecerá lá por 2 meses e depois ficará recluso num antigo convento sobre as colinas do Vaticano, com vista para a cúpula da Basílica de São Pedro. Os 115 cardeais com direito a voto começam nesta terça-feira (12) o conclave, como é chamada a reunião a portas fechadas que escolherá o novo Papa, sucessor de Bento XVI. A partir das 7h (3h, pelo horário de Brasília), os cardeais começam a se tranferir para a Casa Santa Marta, onde ficarão hospedados. Cada um terá seu quarto – os aposentos foram definidos por um sorteio. Às 10h (6h no horário de Brasília), será realizada na Basílica de São Pedro a missa inaugural do conclave. Ela será aberta a todos que conseguirem lugar e presidida pelo cardeal decano, o italiano Angelo Sodano, com todos os demais cardeais, não apenas os votantes, participando como cocelebrantes. O Vaticano divulgou o livreto da liturgia da missa em seu site. DO G1.COM.BR http://g1.globo.com/mundo/renuncia-sucessao-papa-bento-xvi/noticia/2013/03/cardeais-dao-inicio-conclave-que-vai-escolher-novo-papa.html

sexta-feira, 1 de março de 2013

Tem vaga no Vaticano

Em seu último discurso antes da renúncia, o papa Bento XVI prometeu aos cardeais “obediência incondicional” ao novo pontífice, a ser escolhido em meados de março. Ele também agradeceu o apoio dos sacerdotes no período em que comandou a Igreja Católica. Bento XVI deixou o cargo ontem. Ele deixou o Vaticano em um helicóptero e seguiu para a residência de verão de Castel Gandolfo, onde passará alguns meses antes de ir à clausura em um convento dentro da cidade-estado. Em comunicado, o decano do Colégio de Cardeais, Angelo Soldano, agradeceu em nome dos sacerdotes pela gratidão demonstrada pelo papa e o exemplo que representou durante seus oito anos de pontificado. Na entrada do evento, Bento XVI foi aplaudido pelos cardeais. Após a saudação, o papa agradeceu o apoio dos sacerdotes durante os últimos oito anos. “Continuarei perto de vocês em oração, especialmente nos próximos dias quando vocês elegerão o novo papa, a quem hoje declaro minha incondicional reverência e obediência.” O pontífice ainda pediu a união da Igreja Católica e o trabalho conjunto “como uma orquestra” para alcançar a concordância e a harmonia. Ele disse que, nos últimos oito anos, houve momentos de “luz radiante” e “algumas nuvens que escureceram o céu”. “Nós tentamos servir a Cristo e sua igreja”, disse. Bento 16 deixou o palácio papal pela última vez por volta das 17h locais (13h em Brasília) e seguiu para a residência de verão do Vaticano, em Castel Gandolfo, a 30 km de Roma. A partir das 20h (16h em Brasília), foi declarada a vacância do cargo, abrindo caminho para o conclave. O símbolo da saída do papa foi o fechamento das portas do palácio papal e a folga da Guarda Suíça, que garante a segurança do pontífice. Quando o helicóptero que levava Bento XVI levantou voo no Vaticano, os sinos das igrejas de Roma foram badalados em homenagem ao pontífice. Na Alemanha, onde nasceu Bento XVI, os 25 milhões de católicos também puderam ouvir os sinos das igrejas do país no momento da renúncia. Outros países optaram por homenagear o pontífice com serviços religiosos. A arquidiocese de São Paulo celebrou missa na Catedral da Sé, oficiada pelo bispo-auxiliar Tarcísio Scaramussa. No Rio de Janeiro, cidade que receberá a próxima Jornada Mundial da Juventude, em julho deste ano, foi celebrada na última sexta-feira uma missa de ação de graças pelos serviços do papa. (das agências de notícias) Principais datas do pontificado de Bento XVI 19 de abril de 2005 O cardeal alemão Joseph Alois Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, 78 anos, eleito papa, sucede João Paulo II. 14 de setembro de 2006 Início de uma polêmica no mundo muçulmano após um discurso ligando o Islã à violência na universidade de Ratisbonne (Alemanha). No dia 17, apresenta suas desculpas aos muçulmanos. 9 de maio de 2007 Vem ao Brasil para dar início à 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe. 15 de abril de 2008 Encontro nos Estados Unidos com vítimas de pedofilia. Ele repete este gesto na Austrália, em julho de 2008, no Vaticano, em abril de 2009 e em Malta, em abril de 2010. 28 de março de 2012 Em visita a Cuba, o Papa pede respeito às “liberdades fundamentais” e condena o embargo americano 29 de setembro de 2012 Ex-mordomo do Papa, Paolo Gabriele, é acusado de “roubo agravado” de documentos confidenciais - o escândalo do Vatileaks. Condenado a um ano e meio de prisão, recebeu indulto papal em 22 de dezembro. DILMA ENVIA MENSAGEM DO GOVERNO BRASILEIRO Em mensagem ao papa Bento XVI, a presidente Dilma Rousseff lembrou os "gestos de apreço" ao Brasil e lhe desejou saúde e paz. A mensagem foi divulgada na manhã de ontem pela Presidência no Blog do Planalto. PELO TWITTER, “OBRIGADO POR VOSSO AMOR” "Coloquem Cristo no centro de vossas vidas", afirma a última mensagem do papa Bento XVI postada em seu Twitter. "Obrigado por vosso amor", afirmou ainda o religioso que está recolhido. Informações: http://www.blogdealtaneira.com.br/2013/03/o-adeus-do-papa.html